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Nem toda ansiedade aparece como uma crise de ansiedade

29 de jun.
2 min de leitura

Quando pensamos em ansiedade, muitas vezes imaginamos alguém com dificuldades para respirar, tremendo ou passando por uma crise intensa. Embora esses sintomas sejam reais, eles são apenas uma das muitas formas que a ansiedade pode assumir.


Na prática clínica, encontramos frequentemente pessoas que nunca tiveram uma crise de ansiedade, mas que ainda assim se sentem profundamente ansiosas.


Às vezes, a ansiedade se manifesta como uma necessidade constante de estar ocupado. Em outras ocasiões, ela aparece como dificuldade em descansar, excesso de preocupações, a sensação de que algo ruim pode acontecer a qualquer momento, ou a incapacidade de se manter no presente. Algumas pessoas organizam todos os detalhes de suas rotinas para evitar imprevistos. Outras convivem com um cansaço que não parece desaparecer, mesmo depois de uma boa noite de sono.


Mais do que um conjunto de sintomas, a ansiedade pode ser vista como a forma como a pessoa se relaciona consigo mesma, com os outros e com o mundo.


Sob uma perspectiva fenomenológico-existencial, nosso interesse vai além de identificar um diagnóstico ou eliminar sintomas. O foco é entender como essa experiência é vivida por quem a enfrenta. Afinal, duas pessoas podem ter o mesmo diagnóstico e, ainda assim, sentir a ansiedade de maneiras totalmente diferentes.


Por isso, antes de perguntar "como acabar com a ansiedade?", talvez seja mais interessante perguntar: como ela se manifesta na sua vida?


Você tem dificuldade para aproveitar momentos de descanso porque sua mente continua antecipando tarefas?


Você tenta controlar tudo para diminuir a insegurança diante do futuro?


Sua rotina está tão acelerada que o silêncio se tornou desconfortável?


Essas perguntas não têm respostas fáceis. Elas incentivam uma reflexão sobre sua própria experiência, permitindo que você compreenda o significado que a ansiedade tem em sua história.


A psicoterapia não busca oferecer respostas universais. Ela cria um espaço onde a pessoa pode refletir sobre o que está vivendo, reconhecer seus modos de existir e construir novas formas de se relacionar consigo mesma e com o mundo.


Nem toda ansiedade se manifesta de forma intensa.


Às vezes, ela apenas transforma a vida em uma sequência interminável de preocupações, fazendo com que o presente deixe de ser realmente vivido.


Reconhecer isso pode ser o primeiro passo para cuidar de si.

 
 
 

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