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Talvez você não esteja fraco, talvez esteja esgotado de sustentar um personagem.

  • Foto do escritor: Daniel Souza
    Daniel Souza
  • 24 de jan.
  • 2 min de leitura

A gente costuma falar de burnout como se fosse só cansaço, como se um descanso, umas férias ou um fim de semana prolongado resolvessem, mas quem vive isso por dentro sabe: não é só o corpo que está cansado, é o sentido.

Burnout, muitas vezes, aparece quando existe uma distância grande demais entre quem você é, quem você sonhou ser e quem precisou se tornar para sobreviver. É quando o trabalho deixa de ser um espaço de construção de si e passa a ser um lugar de apagamento.

No começo, havia um projeto, talvez ajudar pessoas, talvez crescer, talvez ser reconhecido, talvez não repetir histórias antigas. O trabalho não era só trabalho: era promessa de futuro.

Com o tempo, vieram as metas impossíveis, a sobrecarga normalizada, a falta de reconhecimento; o corpo pedindo pausa e a cabeça dizendo “aguenta mais um pouco”. E o projeto foi ficando distante, ou pesado demais, ou simplesmente impossível de sustentar.

O esgotamento não surge apenas porque se trabalha muito, mas porque se trabalha contra si mesmo por tempo demais. Quando a gente se desconecta do próprio projeto de ser, algo começa a falhar:

  • o entusiasmo vira obrigação

  • o cuidado vira cinismo

  • o desejo vira exaustão

E então aparecem os sinais: irritação constante, sensação de vazio, distanciamento das pessoas, vontade de sumir, dificuldade de sentir prazer, até fora do trabalho.

Talvez a pergunta não seja apenas “como eu descanso mais?”, mas “quem eu precisei deixar de ser para continuar aqui?”.

Falar de burnout é, também, falar de escolhas, limites, sentido e reconstrução. Às vezes, não dá para voltar ao projeto antigo. Mas quase sempre dá para construir um novo mais possível, mais honesto, mais humano.

Cuidado também é escuta. E, às vezes, o que mais precisa de cuidado não é a rotina, é o sentido que você vem dando à sua própria vida.

 
 
 

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